Matilde por Leonardo Cribari

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

ENCONTROS


Um fato é certo: Estou novamente com ganas de escrever.
Querer compartilhar pensamentos, sentimentos, histórias, me faz sentir gente.
Me faz senti viva.
Escrevo como falo, construo histórias como se estivesse na mesa de um bar conversando com amigos, longe das régras literárias.
Apenas conto...
É nesse espírito que quero falar dele. Outro Capitão.Não dos mares de acolá. Mas Capitão dos sentidos.
Ele é minha nova paixão.
Seu nome: Beethoven.
Sei, esse papo de música erudita parece cansativo, lugar comum.
Mas o que quero falar aqui não é nenhum tratado técnico (mesmo porque não tenho conhecimento para tal).Mas sim, desse meu novo/velho encontro com ele.
Tudo começou numa noite de chuva, nada para fazer.
E aí?
Corro numa locadora para ver as novidades e me deparo com o filme “O Segredo de Beethoven.
Adimito que só loquei o filme porque quem fazia o papel principal era Ed Harris, que adoro de carteirinha. Mas, para minha grande surpresa, fiquei apaixonada. No começo não sabia dizer se por Ed ou por Beethoven.
Mas aquela música (que conhecia, só não identificava de quem era), não me saia da cabeça.
Passam os dias, e corro nas lojas da cidade a procura do disco com a Nona Sinfonia. Não achei, e caiu no esquecimento.
Tenho que contar também, que estou vivendo uma nova pessoa em mim. Não desconhecida, mas apurada. Talvez por isso só agora tenha tido encontros maravilhosos como esse.
Sinto que se fez necessário percorrer todo um caminho, de risos, de choro, de alegrias, de sentimentos, para poder está aqui hoje, ligar o som no volume quase máximo (Olha os vizinhos!) e poder entrar nessa música com os sentidos apurados.
As vezes penso que estou enlouquecendo, mas se isso é loucura, eu quero!
Hoje consegui encontrar o disco. E não me contive. Tive que escrever. Quero dividir!
Deixo aqui um pouco sobre ele (muito pouco, diga-se de passagem).
Minha fonte de pesquisa, a wikipédia. Salvadora de todos os assuntos!
Espero que gostem!



“Não o percam de vista, um dia há de dar o que falar”
(Wolfgang Amadeus Mozart)

É assim que quero começar a falar dele. Não por minhas palavras, mas pela de outro, nada mais que Mozart, ao conhecer Beethoven , aos 17 anos em Viena.
Ele nasceu em Renania do Norte ( Alemanha, precisamente Bonn) em 17 de Dezembro de 1770.
Sua família tinha origem flamenga. Filho de Maria Madalegna Kewerich, filha das chefs de cozinha do príncipe da Renania e de um músico alcoólatra, Johann Van Beethoven, Teve seis irmãos, dos quais apenas dois chegaram a idade adulta.
Tinha como hábito despejar água fria na cabeça, para despertar o cérebro.
Por volta dos 24 anos, sente os primeiros sintomas de surdez. Apesar de feito todos os tratamentos disponíveis na época , aos 46 anos estava praticamente surdo.


“Embora tenha feito muitas tentativas para tratá-la durante os anos seguintes, a doença continuou a progredir e, aos 46 anos (1816), estava praticamente surdo. Porém, ao contrário do que muitos pensam, Beethoven jamais perdeu toda a audição, muito embora não tivesse mais, em seus últimos anos, condições de acompanhar uma apresentação musical ou de perceber nuances timbrísticas. Em sua obra 'Uma Nova História da Música', Otto Maria Carpeaux afirma que Beethoven assistiu à primeira apresentação pública da sua 9ª Sinfonia (ao lado de Umlauf, que a regeu, como ficou registrado por Schindler e mais tarde por Grove), mas abstraído na leitura da partitura, não pôde perceber que estava sendo ovacionado até que Umlauf tocando seu braço, voltou sua atenção à sala, e Beethoven se inclinou diante do público que o aplaudia. De 1816 até 1827, ano da sua morte, ainda conseguiu compor cerca de 44 obras musicais.
Depois de 1812, a surdez progressiva aliada à perda das esperanças matrimoniais e problemas com a custódia do sobrinho o levaram a uma crise criativa que faria com que durante esses anos ele escrevesse poucas obras importantes.
A partir de 1818 Beethoven, aparentemente recuperado, passou a compor mais lentamente, mas com um vigor renovado. Surgem então algumas de suas maiores obras: Sonata nº 29 em Si bemol maior op.106 [Hammerklavier] (1818), Sonata nº 30 em Mi maior Op.109,
Sonata nº 31 em Lá bemol maior Op.110 (1822), Sonata nº 32 em Dó menor Op.111 (1822), Variações Diabelli Op.120 (1823), Missa Solemnis Op.123 (1823). A culminância desses anos foi a Sinfonia nº 9 em Ré menor Op.125 (1824), para muitos a sua obra-prima. Pela primeira vez é inserido um coral num movimento de uma sinfonia, inserida a voz humana como exaltação dionísica da fraternidade universal, com apelo à aliança entre as artes irmãs: a poesia e a música. . O texto é uma adaptação do poema de Schiller “Ode à Alegria”, feita pelo próprio Beethoven.


Sua influência na história da música foi imensa. Beethoven começou a compor música como nunca antes se houvera ouvido. A partir de Beethoven a música nunca mais foi a mesma. As suas composições eram criadas sem a preocupação em respeitar regras que, até então, eram seguidas. Considerado um poeta-músico, foi o primeiro romântico apaixonado pelo lirismo dramático e pela liberdade de expressão.
Ao morrer em 26 de Março de 1827 estava trabalhando supostamente em uma décima Sinfonia. A suspeita vem por causa de vários "S" escritos como identificação nas partituras encontradas. Conta-se que cerca de dez mil pessoas compareceram ao seu funeral. Entre os presentes, Franz Schubert.”


9ª Sinfonia
Letra

Oh amigos, mudemos de tom!
Entoemos algo mais prazeroso
E mais alegre!

Baixo, quarteto e coro
Alegre, formosa centelha divina,
Filha do Elíseo,
Ébrios de fogo entramos
Em teu santuário celeste!
Tua magia volta a unir
O que o costume rigorosamente dividiu.
Todos os homens se irmanam
Ali onde teu doce vôo se detém.
Quem já conseguiu o maior tesouro
De ser o amigo de um amigo,
Quem já conquistou uma mulher amável
Rejubile-se conosco!
Sim, mesmo se alguém conquistar apenas uma alma,
Uma única em todo o mundo.
Mas aquele que falhou nisso
Que fique chorando sozinho!
Alegria bebem todos os seres
No seio da Natureza:
Todos os bons, todos os maus,
Seguem seu rastro de rosas.
Ela nos deu beijos e vinho e
Um amigo leal até a morte;
Deu força para a vida aos mais humildes
E ao querubim que se ergue diante de Deus!


Tenor e coro
Alegremente, como seus sóis corram
Através do esplêndido espaço celeste
Se expressem, irmãos, em seus caminhos,
Alegremente como o herói diante da vitória.

Coro
Abracem-se milhões!
Enviem este beijo para todo o mundo!
Irmãos, além do céu estrelado
Mora um Pai Amado.
Milhões se deprimem diante Dele?
Mundo, você percebe seu Criador?
Procure-o mais acima do Céu estrelado!
Sobre as estrelas onde Ele mora!

2 comentários:

Adriana Cavalcante disse...

Matilde esse seu (re)encontro com Bethovem é o que sinto agora ao reencontrar minutos atrás com Chaplin em o Garoto - estou em estado de graça! Bjos

Adriana Cavalcante disse...

Desculpe é Beethoven (agora escrevo corretamente, não?.)