A imagem que trago comigo desde a infância das fadas, principalmente as fadas madrinhas, era moldada no estereotipo que todos os desenhos de animação infantis da minha época passavam.
A que mais me chamou atenção, foi a de Cinderela.
Uma senhora baixinha, rosto bondoso, sereno, com cabelos brancos e fofos que pereciam algodão-doce. Vestida quase invariavelmente de azul celeste, e com uma áurea de luz. E o mais importante, com uma varinha de condão na mão.
Santa varinha! Aquela que torna tudo possível, apenas num toque! Como me encantava a possibilidade de eu também ter a minha fada madrinha.
Enquanto era criança, acreditava que ela existia e que estava sempre ali do meu lado, me protegendo, fazendo dos meus sonhos realidade!
Somente agora entendo que no percurso da vida fui empurrando cada vez mais para o fundo as minhas mais sinceras vontades e sonhos, e assumindo papeis que eram frutos da vontade de outros e me esquecendo dos meus desejos e das minhas fadas madrinhas.
Podem chamar de crise dos quarenta, de adolescência tardia, do que quiserem, mas a verdade é que nada acontece por acaso, e o tumulto que foi minha vida nestes últimos tempos, me levou a uma parada total. De trabalho, de sonhos, de crenças. Colocou-me numa posição onde nunca estive antes: A de olhar com muita honestidade para mim mesma. De questionar o que realmente quero. A fechar um livro, e não apenas passar uma página. A um balanço de tudo.
Não é fácil, muito pelo contrário, pois do mesmo modo que descubro coisas maravilhosas, encontro também aqueles pequenos diabinhos que com muito cuidado alimento e disfarço de anjos para não ter que enfrentá-los.
Estou aos poucos descobrindo que as fadas continuam ao meu lado Só que agora, em pleno século XXI, elas fizeram uma revolução fashion, e deixaram de lado suas vestes celestiais, e disfarçam sua varinha de condão. Minhas fadas são modernas, algumas até de cabelos vermelhos, mesmo que de vez em quando apareça um azulzinho celestial...Usam seus gestos,pensamentos, palavras,sua força interior,para realizarem suas magias. Seus rostos são inteligentes e vivazes, mas suas áureas de luz continuam lá. E se pararmos para pensar um pouco, descobriremos que elas nunca saíram do nosso lado, apenas demoramos a perceber sua nova roupagem.
Para vocês, que são minhas fadas, muito obrigada por estarem ao meu lado, agüentando todas as alterações climáticas desses últimos tempos, e que como fadas madrinhas nunca deixaram de me tocar com suas varinhas de condão e que foram além, me cuidaram, colocaram no colo, ninaram, riram choraram e sonharam junto comigo.
Com amor
2 comentários:
Matilde, sabe que concordo com você...as fadas existem mesmo e é muito bom descobrir isso aos 40, aos 50. Ruim é a gente passar a vida achando que elas apenas integram a alegoria das fábulas...Amém!!! Agora quero dizer que não dá para ficar sem vir aqui, sempre! bjos
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