Matilde por Leonardo Cribari

quinta-feira, 19 de abril de 2007

Com Neruda


O dia amanhece morno.
Nem triste, nem alegre. Apenas morno.
No meu momento, faço de tudo para alterar o termômetro. Tornar o dia alegre, satisfatório, determinado, corajoso.
Refaço exercícios, reforço pensamentos, reedito emoções.
Morno, melancólico, saudoso de uma saudade não vivida, escondida, esperançada.
Coragem! - Digo.
Levanto, e começo o dia.
Vou à varanda, e percebo coisas onde antes não via.
Vou à outra janela. Norte/sul.
Caminhos distintos.
Tenho que sair. Vou cumprindo tarefas cotidianas.
Mas ao acaso, ao acaso? Descubro-o, me esperando numa esquina. Disfarçado, perdido no meio de tantos outros. Algo me chama atenção.
Fui até ele, ainda sem saber o que esperar.
Grande sorte a minha!
Volto ansiosa para casa.
Mas que depressa desfaço pacotes.
Abro com urgência suas folhas.
Troco de nome.
Por momentos de uma página de livro, passo a me chamar Matilde, e ele Neruda.
Transporto-me para uma varanda, com um por de sol, vinhos, conversas, redes e ele, ali deitado ao meu colo, falando ao ouvido.
Eu Matilde, Ele Neruda.

2 comentários:

Adriana Cavalcante disse...

Devolve o Neruda que você me tomou Matilde!!!! Não,devolve não...eu aceito, de bom grado, feliz da vida (pode ter certeza) dividir ele aqui com você assidualmente...aliás, Neruda que se cuide porque Matilde...sei não hem? Show de bola!!!!

Anônimo disse...

Matilde, querida. Vai dizendo que vc quer aqui, vai criando imagens, encontros, conversas... vai escrevendo tudo.
Nao escute tanto essa censura interna!
Besitos e seja bem vinda ao mundo blogueiro!